Pressão e ansiedade são os grandes vilões eleitos pelo desempenho pífio da equipe em seis rodadas do Estadual
10.Mar.2010 |
Marcelo Humberto
DOURADOS – Vencer hoje o Guaicurus no Estádio Jaques da Luz, em Campo Grande, e fazer uma boa partida contra o Naviraiense na rodada seguinte. Essa é a pretensão do Sete de Setembro nesse momento, no Campeonato Estadual Série A. Uma derrota hoje será ligado o alerta vermelho no CT. Mas não é isso que pensa e quer o presidente do clube, Sidnei Camacho. "O jogo de hoje é essencial para as nossas pretensões na competição. Temos que vencer para não corrermos o risco de lutar para não cairmos", avalia. A confiança para essa partida é grande. Porém, um dado deve ser levado em conta. O Guaicurus vive situação semelhante no Estadual e não pode perder a partida. Por essa razão que o presidente do Sete avalia como jogo de pressão hoje para a equipe douradense. Os jogadores sabem que precisam da vitória para não irem para a zona de degola do Estadual. E toda a decisão do futuro do Sete no Estadual e até na temporada de 2011 está nessa partida. Uma decisão mais enérgica, em caso de tropeço, hoje, será tomada pela diretoria a partir da próxima segunda-feira. E, nesse caso, técnico e jogadores passarão pela peneira da diretoria do Sete. "Nós acreditamos na comissão técnica que tem feito um bom trabalho até agora. E não existe razão alguma para substituição. Estamos fazendo boas partidas. Porém, na ânsia de marcar, decidir e somar pontos, estamos pecando", avalia Sidnei. No tom de voz do presidente, ficou claro que só acontecerão mudanças radicais no clube em caso de tropeço hoje. "Temos que ser positivos agora. Em momento algum eu disse que montaria um time para chegar ao título. Falamos em um elenco limitado desde o início da competição em razão do nosso orçamento. Não enganamos ninguém. Mas o que temos em mãos, hoje, é um grupo que joga bem, tem boa postura em campo, mas na hora de tomar decisão, se perde. Vamos buscar fazer um jogo de recuperação a partir do jogo com o Guaicurus", observa Sidnei. No entanto, ao aceitar o cargo de presidente, Sidnei sabia das dificuldades que teria pela frente. Sem verba e apoio do poder público e governo, ele tem conquistado apoio e força através de sua diretoria, amigos empresários que literalmente estão bancando o Sete que hoje tem uma despesa mensal de R$ 50 mil. O Banco Sicoob é um dos únicos patrocinadores da equipe este ano e tem sido a mão amiga de Sidnei no momento. "O que gera receita num clube? A bilheteria. Nós não temos estádio. Dependemos do município que, infelizmente, está tendo problema em sanar os do Douradão. E o Sete não tem como bancar as despesas de melhorias, seja da Leda ou do Douradão. Então, estamos sujeitos à Federação que marca os nossos jogos fora de Dourados. Um exemplo: se vamos jogar no sábado em Rio Brilhante e no domingo o time da casa vai jogar, você acha que o torcedor vai gastar R$ 10 para assistir o nosso jogo e deixar o dele fora? Não. Então, é aí que estamos perdendo receita. Se hoje temos uma despesa por rodada de R$ 8 mil, isso inclui aluguel do estádio onde vamos jogar, despesas com Federação, INSS e outros, em casa, não teríamos esse problema e ainda faríamos um caixa que nos desafogaria mensalmente. Mas, infelizmente, não é isso que acontece hoje", disse o presidente. O ponto positivo nessa penúria toda em que vive o time douradense, o que é uma vergonha para o poder público, é que as despesas e principalmente os salários dos jogadores estão em dia. "Na minha gestão, não existe atraso. Tudo está em ordem, mesmo com todos os problemas que enfrentamos", diz orgulhoso o presidente que não se cansa de lamentar profundamente ter que sair de sua cidade para jogar e representar Dourados em outra cidade. "Mas não fico chorando pelos cantos não. Estamos brigando, mostrando a nossa qualidade. Eu, como todos os jogadores, gostaríamos sim de jogar em nosso estádio, em Dourados, representar com orgulho a nossa cidade. Mas infelizmente não depende só de nós. A grande vitória minha é que tenho ao meu lado uma diretoria que está junto, brigando e buscando o melhor para todos", destaca Sidnei Camacho. Sobre as críticas que a equipe recebe da imprensa, o presidente diz que sabe lidar com elas e afirma serem poucas. "O torcedor sabe dos nossos problemas e reconhece que estamos com um bom elenco e sabe do empenho nosso (diretoria) em fazer o melhor. Posso dizer que recebi uma crítica mais dura de vocês (O PROGRESSO). Mas avalio como positiva porque faz com que todos acordem", destacou o presidente que voz serena e pautada que demonstra que apesar de todas as intempéries que enfrenta, confia no elenco e que a vitória surgirá. "Nós precisamos nos recuperar no Estadual. Temos que sair dessa zona da degola. Saindo dessa fase ruim, podemos brigar pela classificação lá na frente. Volto a destacar o bom elenco que temos. O que nos falta é tranquilidade nas finalizações. Tivemos boas atuações que não se transformaram em pontos", disse o presidente. A pressão pelo resultado e a ansiedade são avaliados como o grande vilão da equipe nesse momento. E hoje, contra o Guaicurus, o Sete de Setembro faz o jogo da pressão pelo resultado que tem que aparecer para se evitar a demissão em bloco. O Sete de Setembro, em seis jogos, soma quatro pontos com uma vitória, quatro derrotas e um empate.
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