Apesar disso, não há mobilização para captação de verbas. Único serviço, na Capital, está parado
10.Mar.2010 |
Valéria Araújo
DOURADOS – Amanhã, Dia Mundial do Rim, Dourados tem pouco a comemorar. Apesar de contar com equipe credenciada e estrutura, o Hospital Universitário da cidade não consegue a quantia de pouco mais de R$ 1 milhão para implantar o sistema de transplantes. O serviço, que é realizado exclusivamente na Santa Casa de Campo Grande, está parado há quase um ano. Enquanto isso, cerca de 330 pacientes aguardam na fila dos transplantes. Destes, 30 têm doador vivo, e mesmo assim não conseguem a cirurgia. Em Dourados, quatro deles já morreram nos últimos meses, à espera da retomada do sistema. Enquanto a retomada dos transplantes de rins em Mato Grosso do Sul é desafio, em Dourados, poucos recursos solucionariam o problema. "Não há empenho político para captação de verbas", explica o presidente da Associação Médica e responsável pelo setor de transplantes em Dourados, Antônio Pedro Bittencourt. Segundo ele, chegou a hora da sociedade cobrar dos representantes a captação de verbas, que não são tantas. "Precisamos apenas treinar o pessoal e adequar laboratórios e centros cirúrgicos para realizar os procedimentos. A implantação da hemodiálise também seria importante. Tudo isso custando pouco aos cofres públicos", avalia. Depois de adequado, basta que o Estado e Ministério da Saúde credenciem o hospital para funcionar. Outra questão, segundo ele, são as parcerias com os hospitais. "As mortes encefálicas que acontecem na rede pública não são informadas ao HU. Isso faz com que não tenhamos a chance de captar órgãos e salvar a vida dos pacientes de Dourados. Isso tem que mudar o mais rápido possível, principalmente depois da ativação do sistema", explica. Para Antônio Pedro, existe boa vontade da reitoria da Universidade Federal da Grande Dourados, mas falta empenho dos representantes políticos para resolver o impasse. "Precisamos de algo concreto, não somente vontade. É inadmissível que hoje a fila dos transplantes só ande com as mortes. É crueldade", destacou.
CAMPO GRANDE A falta de materiais e equipamentos exige recursos que a Santa Casa não dispõe, mas que estaria buscando disponibilizar. De acordo com informações apuradas pelo O PROGRESSO, os funcionários do setor exigiram melhorias para dar maior margem de segurança aos pacientes transplantados. O secretário de Saúde de Campo Grande, Luiz Mandetta, informou que a Santa Casa já teria passado por adequações e que a previsão é de que os transplantes inter-vivos comecem nos próximos dias. Ele lembrou da dificuldade do município, para atender toda a demanda que vem de fora e ressaltou a importância dos municípios em investirem no procedimento para aliviar a Capital. O coordenador da Central de Transplantes da Santa Casa, André Paulo Oliveira, disse que o hospital, por sua vez, está buscando se adequar para cumprir os prazos estabelecidos pela Saúde, acerca da implantação do sistema. "Nada definido por enquanto", ressalta. Cumprindo agenda em Dourados na última segunda-feira, o governador André Puccinelli, disse ao O PROGRESSO, que apesar da Central de Transplantes ser de responsabilidade do Governo do Estado, é gerenciada pelo município de Campo Grande. "As cidades que estão em gestão plena na saúde recebem a mais para gerenciar e cuidar dos seus pacientes. Deve-se cobrar deles o porquê de não haver investimentos para os transplantes", disse, observando que Dourados se enquadra neste perfil. Procurado pelo O PROGRESSO, o secretário de Saúde de Dourados, Mário Eduardo Rocha disse que é intenção do município contribuir, basta que o hospital apresente um projeto.
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