Com isso, está praticamente certo o seu nome como candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff
8.Fev.2010 |
Renato Andrade
Brasília - O deputado Michel Temer (SP) conseguiu sábado (6) se reeleger presidente do PMDB, apesar da resistência do grupo liderado pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. A vitória da chapa única encabeçada pelo atual presidente da Câmara, na convenção nacional do partido, também consolidou seu nome como candidato a vice da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência. A recondução de Temer foi aprovada por 591 dos 597 correligionários que participaram do encontro. Apoiado pelos diretórios regionais de Pernambuco, Paraná e Santa Catarina, o grupo de Quércia chegou a obter na sexta-feira passada uma decisão liminar da Justiça do Distrito Federal impedindo o encontro, mas o recurso foi cassado na mesma noite. Quércia, que apoia a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência da República, é contrário à formação de uma aliança nacional entre o PMDB e o PT. Há ainda setores do partido que defendem a candidatura própria peemedebista - o governador do Paraná, Roberto Requião, chegou a lançar o seu nome na disputa. A vitória de Temer foi celebrada pelo Palácio do Planalto. "Essa recondução do presidente Michel Temer reforça a participação do PMDB na ideia da pré-candidatura da ministra Dilma como sucessora do presidente Lula", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que fez questão de comparecer ao encontro para mostrar a importância do PMDB dentro dos planos do governo para as eleições de outubro. "O PMDB precisa de muito mais espaço nacional", defendeu Temer. "Sem o PMDB não há condições de conduzir o País". Embora tenha saído claramente fortalecido, Temer evitou tratar a sua possível indicação para o posto de vice na chapa de Dilma como fato consumado. "Vice é circunstância política, portanto, só mais adiante é que vamos verificar qual é a consolidação da aliança e, em seguida, qual é o melhor nome para vice", disse. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também foi à convenção, mas evitou dar indicações sobre seu futuro político. "A minha absoluta atenção no momento, até o começo de abril, é o Banco Central", disse Meirelles, que se filiou ao partido em setembro. Temer negou que sua recondução à presidência do PMDB possa ser interpretada como o fim das possibilidades de Meirelles ser o nome do partido na chapa de Dilma, como é desejado por alguns dentro do Planalto. "Meirelles é carta sempre dentro do baralho em face de suas qualidades. Ele está habilitado a exercer qualquer cargo no País e hoje é um peemedebista de carteirinha". Mesmo argumentando que a discussão sobre a aliança com o PT só será feita no encontro do partido em junho, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), defendeu a indicação de Temer. "Este não é o momento para tratar do assunto, mas o candidato que mais aglutina forças é ele". Para garantir apoio majoritário para a recondução de Temer e tentar demonstrar maior unidade, os líderes peemedebistas fecharam um acordo para garantir ao senador Valdir Raupp (RO), aliado de Renan Calheiros (AL), a primeira vice-presidência da legenda. Ao longo das últimas semanas, o partido trabalhava com a ideia de conduzir ao cargo o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). O esforço em mostrar união e sustentar o nome de Temer como vice de Dilma não deve, necessariamente, se reproduzir em alianças regionais, segundo avaliou Geddel. Para o ministro, a unidade entre o PMDB e o PT será em torno de um "projeto nacional", e nos Estados onde os dois partidos têm candidatos aos governos locais essa união pode não se repetir. Para o ministro Alexandre Padilha, a tarefa de unificar as alianças regionais será a principal tarefa das novas direções nacionais do PMDB e do PT.
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