Dourados, Segunda-feira, 6 de setembro de 2010
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Editorial
Medida necessária
6.Set.2010 | A posse do juiz Eduardo Machado Rocha no cargo de interventor na Prefeitura de Dourados é uma medida necessária para restabelecer a ordem na administração pública desde que o prefeito Ari Artuzi, o vice-prefeito Carlinhos Cantor, o presidente da Câmara Municipal, Sidlei Alves, o vice-presidente Zezinho da Farmácia e o procurador-geral do município Alziro Moreno, foram parar atrás das grades por força da Operação Uragano, da Polícia Federal. Com Eduardo Machado Rocha no comando do Poder Executivo, os serviços essenciais voltarão a ser garantidos à população que mais precisa do poder público municipal e isto ficou patente no primeiro ato do prefeito-interventor: uma reunião emergencial com os profissionais da Saúde para tomar conhecimento da real situação do setor mais fragilizado pelos políticos douradenses nos últimos anos. Tomara que o interventor permaneça no cargo por tempo suficiente para, pelo menos, sanar os principais problemas na saúde pública, como, por exemplo, a falta de medicamentos, de materiais clínicos e até de ataduras de gaze, esparadrapo e luvas nos postos de saúde.
O interventor terá muitos problemas urgentes para solucionar, mas nenhum deles exigirá maior dedicação que a saúde pública, setor que foi transformado num verdadeiro ralo por onde a quadrilha que sangrava os cofres públicos de Dourados desviava, segundo a própria Polícia Federal apurou na Operação Uragano, cerca de R$ 2 milhões mensais. Todo este dinheiro aplicado devidamente na saúde pública garantiria aos cidadãos douradenses um atendimento de excelência não apenas nos postos, mas, sobretudo, nos hospitais públicos. Todo este dinheiro aplicado devidamente na saúde pública seria suficiente para solucionar todos os problemas existentes hoje, desde a falta de medicamentos de uso contínuo até a escassez de médicos especialistas para atenderem as pessoas com rapidez e eficiência. No fundo, se todo dinheiro que chega aos cofres públicos municipais para investimentos em saúde pública tivesse sua finalidade respeitada, nenhum cidadão douradense precisaria gastar parte do orçamento doméstico para pagar planos de saúde.
Para solucionar esse grave problema e tantos outros que sangram os cofres públicos municipais, o juiz interventor precisará do apoio não apenas da comunidade médica, ou dos demais profissionais de saúde, mas, sobretudo da própria população, que precisará entender que a situação vai melhorar de forma gradativa e não de uma hora para outra. Os cidadãos douradenses, ou aqueles que moram nas cidades vizinhas que buscam socorro médico-hospitalar em Dourados, precisarão demonstrar paciência com o sistema público de saúde que, diga-se de passagem, está em colapso há mais de quatro anos, sem que nenhuma autoridade municipal tenha feito qualquer esforço para reverter esse quadro. Do contrário, o Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus) não teria apurado que quase 500 pessoas perderam a vida no Hospital de Urgência e Trauma, atual Hospital da Vida, por falta de infraestrutura básica, como Unidades de Terapia Intensiva e a presença de médicos especialistas, como neurocirurgiões, por exemplo.
Por outro lado, o Poder Legislativo de Dourados, que acabou envolvido quase integralmente com o escândalo patrocinado pelo Executivo, precisa ser recuperado para auxiliar o juiz interventor na missão de passar Dourados a limpo. É claro que o saneamento moral e ético da Câmara de Vereadores deverá passar, necessariamente, pelo afastamento daqueles que foram presos durante a Operação Uragano e a imediata convocação dos seus respectivos suplentes, mas esta missão ficará a cargo do Poder Judiciário, já que poucos terão a iniciativa de pedir afastamento. É por essas e outras que, no sábado, durante a sessão solene de posse do juiz Eduardo Machado Rocha no cargo de interventor, as pessoas que olharam para as cadeiras de vereador e as viram ocupadas pelos juizes de Direito José Carlos de Souza, Jairo Luiz de Quadros, Jonas Hass Silva Junior, João Mathias Filho, além dos promotores de Justiça Amílcar Araújo Junior e João Linhares, bem como o delegado da Polícia Federal, Bráulio César Galloni, devem ter pensado: bem que essa deveria ser a composição da verdadeira Câmara Municipal.
 
 
   
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