Dourados, Segunda-feira, 6 de setembro de 2010
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Prefeito interino promete “varrer” a corrupção
Juiz Eduardo Machado Rocha anuncia auditoria nas secretarias e limpeza dos “fantasmas”
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6.Set.2010 | Marli Lange

DOURADOS - O juiz Eduardo Machado Rocha, que assumiu sábado o comando da prefeitura de Dourados, por determinação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS), anunciou que vai fazer uma "varredura" em todos os atos de corrupção aos cofres do município "doa a quem doer". Durante a sua posse na Câmara de Vereadores, o juiz foi aplaudido de pé pelas pessoas que lotaram o plenário do Poder Legislativo. O público também rendeu homenagens ao delegado federal, Bráulio Galoni, convidado para assistir à posse, junto a autoridades do Poder Judiciário e aos vereadores que sobraram na Câmara, depois da Operação Uragano (Furacão), da Polícia Federal deflagrada quarta-feira passada.
Na sessão de posse do juiz, estavam presentes os vereadores Idenor Machado (DEM), que ocupa vaga na Câmara no lugar de Paulo Henrique Bambu, atualmente licenciado e também envolvido no esquema de corrupção, e Délia Razuk (PMDB), que presidiu os trabalhos. Também estiveram presentes os vereadores Gino Ferreira (DEM) e Dirceu Longhi (PT), que foram vaiados pelo público. Os dois não foram presos durante a operação, mas estão indiciados, acusados de suposto envolvimento no esquema de fraude em licitações e pagamento de propina, que seria comandada pelo prefeito afastado Ari Artuzi (PDT), que continua preso na 3ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.

AUDITORIA
O primeiro ato do juiz-prefeito, Eduardo Machado Rocha, foi convidar o secretário de Governo de Comunicação, Eleandro Passaia, para reassumir o cargo, que até então tinha deixado, depois que veio à tona todo o esquema de corrupção. Passaia foi o responsável por denunciar todo esquema de Artuzi à PF, com gravações em áudio e vídeo.
O segundo ato do juiz-prefeito foi anunciar uma auditoria em todas as secretarias a partir desta segunda-feira. Para isso, ele disse que vai baixar um decreto com as medidas. O trabalho contará com a ajuda de técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) do Ministério Público Estadual (MPE) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Imediatamente, também, vai realizar um levantamento para saber quem está na folha de pagamento do município, mas não trabalha. Será deflagrada a operação "caça-fantasmas". De acordo com o secretário de Governo, acredita-se que existam pelo menos 400 "fantasmas" dentro da prefeitura, grande parte, em sua própria Secretaria. "Quando assumi a Secretaria, foi que me deparei com a quantidade de pessoas que ganhavam sem trabalhar. Lá, tem apenas uma meia dúzia que trabalha, o restante, só recebe", afirmou.
Quantos aos cargos de confiança, Eduardo Machado disse que vai analisar caso a caso, os que estão trabalhando e fazendo um serviço honesto, ficam no cargo.
Outra medida será cancelar as gratificações premiadas a quem não tem direito. De acordo com Passaia, por causa dos "apadrinhamentos", principalmente de Artuzi e vereadores, muitas pessoas eram beneficiadas com a gratificação premiada, em detrimento de outras que realmente tinham o direito. "Tudo isso vai acabar a partir de agora", garantiu Passaia.
Também serão verificados todos os contratos com as empresas licitadas para analisar os superfaturamentos denunciados na Operação Uragano. As que estiveram irregular, terão que baixar os valores cobrados da prefeitura.
Outra medida tomada no mesmo dia da posse do juiz, foi se reunir com todos os secretários que não foram presos na Operação, para receber informações sobre a situação da prefeitura.
Com isso, o juiz-prefeito teria já detectado o "caos" na saúde e autorizou a compra de uma extensa lista de materiais necessários para a área.
Eduardo Machado Rocha explicou que não sabe quanto tempo vai permanecer no cargo, pois o MPE já teria entrado com pedido de intervenção do município, que está sendo analisado pelo TJ/MS. "Não sei quanto tempo vou ficar no cargo, mas farei, imediatamente, tudo que estiver ao meu alcance", disse. Fervoroso, o juiz disse que "foi Deus" quem o colocou no cargo.
 
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