Dourados, Segunda-feira, 6 de setembro de 2010
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Opinião
E você, tem “cosca” aí?
6.Set.2010 | Benê Cantelli*

Não se trata de prestigiar a desgraça alheia. Não se trata de fazer graça ou traduzir em comicidade a desventura de outrem. A questão é romper com a gratuidade do fato e motivar pessoas a voltar ao tempo antigo e reviver valores que estão se apagando como o sol em pleno ocaso.
A moral nos obriga a dizer que o bem público é pertinente à sociedade e que este jamais pode ser tratado como coisa privada.
Segundo filmagem que se transformou em documentário incriminando uma pessoa pelo fato de estar embolsando dinheiro oriundo de propina, através da Prefeitura de nossa Dourados, ouviu-se que a quantidade não faria nem "cosca", pois se tratava de pouca monta apenas R$ 10.000,00.
Na literatura "analfabética" a expressão "cosca" é traduzida, no bom léxico camoniano, por "cócega", efeito do ato de coçar.
Realmente, não fez "cosca" no bolso do contemplado, e nem serviu como cócega no espírito patriótico de ninguém.
Em suma, o que se percebe de um fato tão lamentável como esse, que não é adstrito somente a nossa cidade e Estado, é que a impunidade motiva outras arrancadas no mesmo ou em paralelo propósito. Senão vejamos: Praticamente as mesmas pessoas que estiveram envolvidas, tidas como "chefes", com a Operação Owari e Brothers, estão presentes nesta Operação Uragano. Não houve medo. Extinguiu-se a problemática da apreensão.
O pensamento é: "Vamos que vamos, a coisa tá fácil".
Mais uma vez, nossa cidade encontra-se enxovalhada de vergonha e comentários desairosos em toda mídia nacional. Amigos, de outras cidades, ligam perguntando o que aconteceu. Fazem chacota. Nutrem piadas de todo tipo. E, lá vamos nós, com um Estado que tem horas atrasadas pelo fuso horário, tendo que ouvir as mais diversas gozações, inclusive com base no próprio atraso do fuso.
Não culpo ninguém que não seja o próprio eleitor que deve estar rindo de si mesmo e fazendo chacota com sua própria ignorância, dizendo: "Que se dane. Eu queria anarquizar tudo mesmo". Quem dizia que pessoas sem cultura, ou pelo menos, sem um mínimo de experiência administrativa não deveria ser escolhida para governar uma cidade do porte de nossa Dourados, hoje deve estar cingida pela dor porque não foram ouvidas.
O pior é que todos pagam pela assoberbada estupidez de muitos, pois para fazer a eleição vitoriosa de um candidato, não são poucos os votos necessários.
Sem embargo, procura-se, em vão, alguém que votou nessas pessoas. Não se encontra, nem pagando bem. Ninguém votou. Alguns dizem: "Eu?!. Ce tá loco. Jamais votaria nesse homi" e, por ai vai. No entanto, amigo eleitor, numa reunião política à época, perguntei para um senhor, qual seria a razão de seu voto para o tal candidato, e ele disse sem titubear: "O povo já "imbicou" pro lado dele e eu vou junto".
Estou procurando o sinônimo de "imbicar". Até hoje, não achei e sei que nunca vou encontrar. Mas na linguagem "analfabética", eu sabia que ele queria dizer: Onde a vaca vai o boi vai atrás. Para onde for a massa, independentemente, da sorte ou desventura, devo comungar, devo ir.
De nada valeria dizer àquele cidadão que ele estava mergulhado num ledo engano, pois o destino das massas, normalmente é enganoso.
É indispensável que se diga que não estamos nos referindo somente a Dourados. Têm muitas outras cidades chorando o resultado de suas eleições e outras tantas que ainda chorarão.
Pedimos, mesmo tendo certeza de que de nada valerá a solicitação, que as "coisas" que acontecem ao nosso redor e derredor sirvam de exemplo para estas eleições em curso e para tantas outras que virão.

Bom dia?
Desejamos bons dias...
*Professor
cantelli@terra.com.br
 
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